Na noite desse último Sábado, dia 4, eu acabei não saindo, fiquei em casa até tarde, buscando aqui na internet e em meus contatos mais próximos por uma chance de sair e me divertir um pouco. Acabei ficando entediado e fui me deitar às 00:06 horas.


Eu sonhei que eu estava com o meu pai e com uma moça que eu não conheço fazendo uma visita à uma casa que me era um pouco familiar. Lembro-me vagamente de já ter estado ali antes em algum tempo distante.


Conforme foi ficando tarde, o clima foi surrealizando. Um exemplo disso é que havia uma televisão ligada e estava passando um programa humorístico famoso por aqui, e nesse momento surreal, confusamente os atores não estavam mais na televisão, eles estavam na sala conosco.


E então o anfitrião começou a agir estranho conosco como se ele estivesse pirando. E nisso eu disse ao meu pai e a essa moça para que fôssemos embora naquele instante mesmo.


Ao sair da casa, a porta da frente fechou-se atrás de mim, assim separando-nos. Eu batia na porta e gritava, e tudo o que acontecia eram batidas vinda do outro lado da porta como quem cinicamente repetia minhas batidas.


Eu então comecei a golpear a porta com o meu machado, e quando eu a pus abaixo e entrei, a sala estava negra e eu sentia muitas pessoas me olhando. Pessoas que não estavam lá quando eu estava lá dentro momentos antes. E a sensação de se estar ali era muito ruim, o que acabou fazendo com que eu acordasse.


Eu acordei sentindo-me abatido e fui conferir as horas, eram 01:55. Eu dormira muito pouco. Fiquei na cama um tempo pensando em todos os símbolos desse sonho. E o que me deixou muito preocupado, é que meu pai aqui na Terra está doente já há 20 dias.


Não consegui dormir mais de preocupação, segui a madrugada ora lendo, ora vendo vídeos para me distrair. Não consegui trabalhar pois no momento eu estou fazendo uma ilustração muito perturbadora.


Fui dormir quando já era de manhã, acordei ao final da tarde e liguei para o meu pai para ter notícias suas. E ele está muito fraco e eu dizia que ele tinha que reagir.


Hoje, Segunda-feira, dia 6, agora há pouco no sono de depois do almoço, eu tive outro sonho com o meu pai. Nós estavamos numa espécie de praça pública em uma noite clara. Uma iluminação típica de noite de Lua cheia porém com o céu nublado. Dessas que têm uma luz fraca porém vinda de todos os cantos.


Havia uma música bem tranquila no ar, algo como uma suave flauta juntamente com uma harpa.


Estávamos sozinhos ali naquela praça, sentados em um dos bancos, e entre nós parecia haver um carrinho de brinquedo o qual mexíamos nele conforme conversávamos.


Eu tentava arrumar certos pontos da estrutura desse carrinho, dizendo a ele que era preciso lutar, tal qual eu lhe disse no telefonema do dia anterior, e ele desmontava hastes da estrutura em outra parte do carro dizendo na sua forma bem humorada de sempre, que não, que dá muito trabalho, que custa muito dinheiro, que ele não tem tempo pra isso não.


Palavras muito semelhantes de quando eu era criança e pedia-lhe por um brinquedo caro. E que eu chorava, contestava e batia o pé como toda criança costuma fazer, porém ali eu não discuti com ele. Eu apenas o ouvi e continuei tentando arrumar aquele ponto da estrutura do carrinho.


E então eu acordei, e eu sentia a sua presença muito forte. Aquela música ainda tocava na minha cabeça, e conforme eu fui tomando consciência, eu percebi que independente da metáfora do sonho, havia um claro clima de despedida na nossa conversa. Eu coloquei a mão no meu rosto e confirmando minha expectativa, ele estava molhado de lágrimas. Olhei as horas, e com a imagem deformada pelo sono e pelo meu pranto, eu vi que eram precisamente 14:00 horas.


Levantei, lavei o rosto, e sentei aqui para escrever esse texto. Com muita dificuldade por estar chorando muito, eu estou o concluindo agora.


Embora eu seja bem receptivo à idéia de que seus dias possam ter chegado ao fim, eu realmente gostaria que ele ficasse um pouco mais, pois eu gostaria muito de me tornar alguém na vida antes de sua partida.


Mas quem sou eu para escrever o rumo da História? Acontecerá conforme deve acontecer.


Boa tarde a aqueles que me lêem.
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Ás
On the last Saturday night, day 4th, I happened to not going out. I stayed at home searching here in the internet and in my most close contacts for a chance of going out and distract me a little bit. I ended by becoming bored and I went to bed at 00:06 AM.


I dreamed about my dad and some lady I don’t know and we were visiting a house that looked a little familiar to me. I vaguely remember of being there before in some distant time.


As it was getting late, the feeling in the air started to get surreal. An example of this was that there was a television on and it was passing a comedy show very famous around here, and in this surreal moment, dazedly the actors were not in the television anymore, they were in the living room among us.


And then the host started to behave strange like if he was cracking up. And in this moment I said to my dad and this lady for us to get out of there in that very moment.


When leaving the house, the front door closed itself right behind me, thus separating us. I knocked the door and yelled, and all that happened were knocks back coming from the other side of the door like if it were cynically repeating my knocks.


Then I started to hit the door with my ax, and when I put it down and got in, it was pitch black in there and I felt like a lot of people were looking at me. People that were not there moments earlier. And the feeling of being that was really bad, which happened to wake me up.


I woke up feeling myself dejected and I checked the time, it was 01:55AM. I had very short sleep. I kept in bed for a while thinking about all the symbols of this dream. And what got me really concerned is that my dad here on Earth is sick for 20 days now.


I couldn’t have more sleep due to the concern, I carried on the night by some time reading, some other time watching videos to distract me. I couldn’t work because in the moment I’m making a very disturbing illustration.


I went to sleep when it was early in the morning, I woke up by the end of the afternoon and I called my dad to have some news from him. And he is very weak and I told him he must react and fight against it.


Today, Monday, day 6th, moments ago in the post-lunch sleep, I had another dream about my dad. We were in some kind of public square in a bright night. An illumination typical of a full Moon night with cloudy sky. One of these those have a weak light but coming from all around.


There was a very soothing music in the air, something like soft flutes and harp.


We were alone on that square, sitting on a a bench, and between us there was a little car toy which we were messing with it while we talked.


I was trying to fix some points in the structure of this little car, telling him that he must fight, just like I told him by the phone on the previous day, and he was disassembling some stems from the structure in some other part of the car saying in his usual good-tempered way, that “no”, that it demands too much work, that it costs too much money, that he doesn’t have time for that.


Very similar words from when I was a child and I asked him for some expensive toy. And then I cried, and contested and stomped my feet in temper tantrum like every child use to do, however, in this moment there I didn’t argue with him. I was just listening and keeping on trying to fix that point on the structure of that little car.


So I woke up, and I was intensely feeling his presence. That music was still playing inside my head, and as I was regaining consciousness, I realized that regardless of the metaphor of the dream, there was a clear feeling of farewell in the air in that conversation. I put my hand on my face and confirming what I expected, it was wet from tears. I checked the time, and with a very deformed image by sleepy and crying eyes, I saw it was precisely 02:00PM.


I got up, washed my face, and I seated here to write this text. With some difficulty for crying a lot, I am concluding it now.


Although I am very receptive to the idea of his days might have been coming to an end, I really wish he could stay a little longer, because I would like a lot if I could become someone in life before his departure.


But who am I do write the course of History? I will happen as it is suppose to happen.


Good afternoon to those who read me.
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Ace